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ULS - Unidade Local de Saúde em Portugal
Construir uma Estratégia de Saúde Organizacional numa das maiores Organizações Públicas de Saúde em Portugal

Contexto
A organização analisada é uma das maiores Unidades Locais de Saúde em Portugal, integrando cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários, distribuídos por 13 unidades geograficamente dispersas.
A diversidade de contextos clínicos, grupos profissionais e realidades operacionais colocava um desafio claro: compreender as condições de trabalho e a experiência dos profissionais numa organização de grande dimensão e complexidade.
À data da avaliação, a organização encontrava-se também num processo de transformação, com integração de estruturas anteriormente independentes. Este processo implicava alinhar progressivamente práticas de gestão, formas de organização do trabalho e abordagens de liderança que tinham evoluído de forma diferente ao longo do tempo.
Tudo isto acontecia num contexto já marcado por uma elevada exigência assistencial e a exposição frequente a situações emocionalmente exigentes.

O Desafio
A organização não dispunha de dados transversais sobre riscos psicossociais que permitissem apoiar de forma consistente a tomada de decisão.
Era necessário perceber quais os fatores com maior impacto nas condições de trabalho e no bem-estar dos profissionais, identificar diferenças entre grupos e áreas e distinguir os desafios próprios da prestação de cuidados de saúde daqueles que poderiam ser trabalhados através da gestão e da organização do trabalho. ​
O desafio era, por isso, passar de perceções dispersas para uma leitura estruturada da realidade organizacional.
Abordagem

Foi realizada uma avaliação com componentes quantitativa e qualitativa.
A componente quantitativa utilizou o COPSOQ II — Copenhagen Psychosocial Questionnaire para avaliação dos riscos psicossociais. Participaram 3.341 profissionais, correspondentes a 32,8% da população.
A componente qualitativa incluiu 74 entrevistas e 14 focus groups, permitindo aprofundar os resultados e compreender melhor as diferenças entre contextos, funções e grupos profissionais.
A leitura conjunta dos dados quantitativos e qualitativos permitiu perceber não apenas onde estavam os principais riscos, mas também em que contextos surgiam e que fatores poderiam estar associados.
Foi ainda desenvolvida uma estratégia de mobilização com comunicação institucional, materiais de sensibilização e envolvimento local das lideranças.
Como resultado final, a organização passou a dispor de um conjunto estruturado de indicadores de riscos psicossociais e de saúde organizacional, que pode ser usado como referência para avaliações futuras.
Principais Resultados

A avaliação abrangeu profissionais de 13 locais de trabalho e dos 11 grupos profissionais, incluindo áreas clínicas, técnicas, operacionais e de suporte.
Entre os principais resultados destacaram-se três exigências psicossociais elevadas: exigências emocionais, exigências cognitivas e ritmo de trabalho
Estes resultados são consistentes com um contexto em que os profissionais lidam regularmente com sofrimento humano, incerteza, pressão assistencial e necessidades de decisão rápida.
Foram também identificadas diferenças entre grupos profissionais. Os profissionais em fases iniciais de carreira apresentaram maior vulnerabilidade ao burnout.
Nos profissionais de suporte operacional com contacto frequente com doentes e familiares verificou-se maior exposição a comportamentos ofensivos e violência no trabalho, tornando a violência ocupacional uma área relevante para a estratégia de saúde e segurança da organização.
Surgiram também vários recursos organizacionais, nomeadamente possibilidades de desenvolvimento, significado do trabalho e transparência de papel laboral dos profissionais.
Estes resultados mostram que, apesar das exigências identificadas, muitos profissionais mantêm um sentido claro do seu contributo e da importância do trabalho que realizam.
Exigências psicossociais
Indicadores
de saúde e
bem-estar
Recursos psicossociais

Exigências Cognitivas

Exigências Emocionais

Ritmo de Trabalho

Burnout

Significado do Trabalho
Impacto
O projeto permitiu à organização passar a dispôr de dados objetivos sobre a distribuição dos principais fatores de risco e de proteção entre grupos profissionais, localizações e contextos de trabalho.
A informação produzida apoiou a identificação de prioridades e a definição de planos de ação mais ajustados às diferentes realidades existentes na organização.
Permitiu também relacionar os resultados da avaliação de riscos psicossociais com temas como saúde ocupacional, bem-estar, liderança e organização do trabalho.
A segmentação dos dados tornou possível perceber onde existiam necessidades distintas e orientar melhor os recursos e as intervenções.
Os resultados funcionam agora como ponto de comparação para avaliações futuras e para acompanhar a evolução das medidas implementadas.

Implicações Futuras
A avaliação criou uma referência para acompanhar os riscos psicossociais ao longo do tempo e perceber se as medidas implementadas estão a produzir alterações nos diferentes grupos e contextos.
Um dos principais resultados foi perceber que nem todos os desafios identificados têm a mesma origem. Alguns estão diretamente ligados à natureza do trabalho em saúde. Outros relacionam-se com fatores organizacionais, práticas de gestão, liderança, organização das equipas ou com o próprio processo de transformação da organização.
Esta distinção é importante porque permite concentrar a intervenção nos fatores sobre os quais a organização pode efetivamente atuar.
A avaliação não foi pensada como um exercício isolado, mas como suporte para decisões futuras sobre organização do trabalho, liderança, funcionamento das equipas e prevenção dos riscos psicossociais.
Mais do que identificar riscos, o objetivo passa agora por acompanhar a sua evolução e perceber onde é necessário intervir.
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